Mulheres da camomila

Falando Sobre: Estilo de Vida, Instagram
25/04/2017

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Seu nome oficial é Matricaria e significa útero. Camomila é o útero onde se inicia um caldeirão tão forte e sábio que cura sem ferir, é sincero sem espezinhar, toca sem esmagar, dá prazer sem ser invasivo e leva as dores embora fluindo em gratidão e desabrochando leves risadas como a deusa Uzume.

No entanto, a maioria foi levada a acreditar que ela é uma plantinha boba, frágil, delicada, servindo para os bebês e para fazer aquele chazinho quente em dias de resfriado. Ledo engano! A camomila, como uma metáfora para o que pensam sobre as mulheres, não é boba, fraquinha nem serve apenas para dar uma acolhida. Talvez, justamente, por representar as mulheres em épocas passadas e por ter sido tão utilizada por elas, essa associação fez com que a camomila se tornasse coisa de “mulherzinha”, fraquinha, boazinha.

Diante de estudos históricos e também com a história da utilização dessa planta, interpreta-se que a camomila cura porque nos liberta da culpa. As mulheres, principalmente as latinas, carregam em si muita culpa, por consequência de, desde a Roma Antiga (400-300 A.C.), terem tido seus corpos atrelados a todas as mazelas que ocorriam na sociedade. Culpa por menstruar, culpa por gerar ou não gerar, culpa por gerar “errado”, culpa por sentir prazer, culpa por falar, por fazer ou não fazer.

A culpa nos oprimiu e silenciou; a camomila, como uma mãe acolhedora e extremamente forte, vem nos tirar dessas amarras com tanta leveza e acolhimento. Ela é tão bela e sábia no seu curar que pode tanto cuidar de um bebê como de uma forte candidíase. Ela é tão maravilhosa em seus desenlaces de culpas que pode fazer uma mulher “parir” suas feridas e, logo depois, sorrir e seguir em paz.

Texto inspirador de Palmira Margarida pela revista vertigem

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